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30 de Março de 2020

A quem interessa a restrição de publicidade na advocacia?

Proposta sobre o novo Código de Ética da OAB restringe ainda mais a publicidade na advocacia, especialmente nas redes sociais.

Geison Paschoal, Advogado
Publicado por Geison Paschoal
há 5 anos

O Pleno do Conselho Federal da OAB começou este mês a discutir sobre a publicidade na proposta do novo código de ética e disciplina da OAB, e o andamento não agradou a jovem advocacia.

Isto porque a proposta restringe de forma aguda o marketing nas redes sociais. Contudo, a proposta foi alvo de tantas críticas, que o presidente Marcus Vinícius Furtado Coelho adiou o debate para a próxima reunião do pleno.

A tal proposta é a de que os escritório só podem manter sites próprios. Repita-se: só podem manter sites próprios!

Todas as demais formas de divulgação ficariam proibidas. Ou seja, páginas em redes sociais, patrocínio de eventos jurídicos ou acadêmicos, espaços em veículos de comunicação, nada, somente o site próprio.

A regra seria mais restritiva da atual, exatamente a mesma que se pretende reformar.

A restrição de publicidade interessa somente aos grandes escritórios e a advogados já consolidados, pelo simples motivo de que o marketing digital aproxima as chances de mercado entre grandes bancas, advogados de renome e jovens advogados, uma vez que o custo para se fazer um bom trabalho de marketing não é alto, e se requer muito mais criatividade do que recursos financeiros.

Hoje, milhares de jovens ganham dinheiro através das mídias sociais usando sua criatividade, promovendo seus produtos e serviços. Mas aquele jovem que escolheu a advocacia está excluído dessa possibilidade, e de acordo com essa proposta, ficará eternizado nos anos 80.

Hoje o modelo de publicidade e divulgação é muito ruim para quem está entrando no mercado, e a proposta como foi apresentada não é diferente. Além disso, ela vai na contramão do momento digital que estamos vivendo. O mundo mudou, e a OAB precisa enxergar isso.

A ideia que se tem de propostas como essa é a de que ninguém pode divulgar nada pela internet para que estejamos num mesmo nível de competitividade. Assim, grandes escritórios nunca serão ameaçados pelos jovens advogados, que podem ser mais criativos, destemidos e também prestam bons serviços.

O que eles querem com isso? Colocar o recém aprovado na OAB na mesma roda que passaram, levando anos e anos para terem sua carta de clientes, seus processos começarem a dar resultados e com o passar do tempo ganharem destaque. Tempo este que poderia ser reduzido consideravelmente utilizando a internet.

A OAB precisa entender que o mundo digital é uma realidade, tanto que o processo digital está aí. É aqui na grande rede que as pessoas estão, as pessoas buscam auxílio pelas redes, reclamam. As grandes empresas criaram setores para atender seus clientes, ouvir reclamações e vender produtos através das redes sociais.

Restringir o acesso de jovens advogados ao mundo digital, seria o mesmo que condená-los ao insucesso profissional. É preciso pensar e discutir muito essa proposta.

Qual alternativa restaria para os advogados iniciantes? Distribuir cartões de visita na estação do metrô? Ficar de plantão na porta da delegacia? Ok, depois que conseguir o primeiro cliente ele pode ir para o seu escritório redigir a petição em uma máquina de escrever da Olivetti.

Com informações do blog portal exame de ordem

A quem interessa a restrio de publicidade na advocacia

145 Comentários

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Amigos, o problema é mais grave ainda. Se, por um lado, tal medida prejudicaria ainda mais os bons advogados, iniciantes ou não; por outro, fecharia a maior porta ao cidadão comum em procura de ajuda jurídica. As pessoas estão na Internet à procura de um advogado. Pouquíssimos têm a quem pedir uma indicação. Fechar esses canais de comunicação significaria desatender a maior parte da população de um serviço essencial!

Ora, se não serve aos profissionais, em sua absoluta maioria; se não serve à sociedade; a quem há de servir?

A advocacia precisa se unir. Pressionar a OAB para que defenda o interesse da sociedade. continuar lendo

Engraçado é que este site onde estamos escrevendo tem espaço para publicidade.

Confesso que gostei muito de ver a oportunidade de contratar um advogado diretamente pelo JusBrasil, e agora a Ordem quer acabar com isso.

Faz lembrar as Corporações de Ofício medievais....Você ingressa como "aprendiz", com algumas décadas vira "companheiro", até chegar a "mestre" no fim da vida.

Ah, essa OAB.... continuar lendo

Parabéns!

Os novos advogados, ainda têm uma saída, ainda não muito conhecida da OAB, a telepatia.

Na era digital, a OAB, quer tirar o direito dos Advogados se tornarem conhecidos, conforme os dias de hoje.

Incabível! Quando a maioria dos atuais doutos, já em fim de existência se forem, talvez mude.

O mais admirável, é que hoje, os estagiários estão fazendo o papel de interprete dos verdadeiros medalhões da advocacia, entre os próprios advogados e os programas de informatização do judiciário. Ver o andamento de alguma ação pelo celular ou tablet, impossível, melhor aguardar a entrega do recorte do jornal; logo será entregue pelo "estafeta".

São muitos, avessos as "modernagens"; computadores, redes sociais, alguma propaganda na porta do escritório, sem ser aquela "tabuleta" dos anos quarenta, pintada a mão. Parece que no mundo está acabando, não a água, mas a terra, a terra sob os pés dos grandes doutos.

O progresso chega em todas as profissões, digo, menos uma, a advocacia, que a partir de algum momento será declarada retrógrada.

Aqueles que são novos advogados, e, não morrerem de fome ou desistirem da profissão, saberão o resultado.

O mais preocupante não é ter idade avançada, mas sim ter a mente que parou no tempo, emperrou; idade, na verdade não é sinônimo de dezatuallização, mas sim de falta de interesse ou de saúde. continuar lendo

Colega concordo ipsis literis com sua opinião. O que vemos é o poder agindo de forma tendenciosa aos interesses de quem o detém. O que faremos para impedir que seja aprovado este texto ? Dê-nos uma luz !! Abraço !! continuar lendo

Também penso como você ! continuar lendo

queremos as modernidades do futuro, mas nossa classe ainda usa, e muito, jargões antigo do falecido latim.... vai entender... continuar lendo

"A restrição de publicidade interessa somente aos grandes escritórios e a advogados já consolidados," Sou apaixonada pela advocacia, mesmo com tanta dureza. E é triste, lamentável, que os próprios colegas tenha essas atitudes. Todos nós precisamos trabalhar. continuar lendo

Brilhante explanação sobre um tema deveras polêmico! O papel da Ordem deve ser o de combater as formas ultrajantes que vem sendo praticadas por alguns colegas, como a panfletagem, uso de carros de som, criação de "associações profissionais" e demais formas ilegais de captação de clientes. Parabéns pelo artigo! continuar lendo