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16 de Dezembro de 2017

Terceirização. O que acontece na prática!

Imagine você que neste exato momento tem alguém fazendo a mesma coisa que você, para a mesma empresa, e ganhando 5x mais.

Geison Paschoal, Advogado
Publicado por Geison Paschoal
há 5 meses


Na semana passada eu atendi uma pessoa que foi demitida injustificadamente.

Ela me contou, durante o atendimento, que exercia uma determinada função para uma empresa indiana que terceiriza serviços para uma gigante do setor de TI.

Ela recebia pelo seu trabalho o valor de R$ 1.200 por oito horas de serviço com intervalo de 40 minutos para comer sua marmita fria (porque no local não há uma geladeira ou estufa para armazená-la). Suas idas ao banheiro eram monitoradas para que não ultrapassasse 3 minutos. Se passasse disso, era aplicada uma advertência por 'desídia'.

Ou seja, 'número 2' nem pensar.

O interessante dessa história (e você vai entender o porquê) é que as pessoas que exercem função idêntica à dela, mas que são empregados diretos dessa Gigante, recebem um salário de R$ 5.000 + benefícios. Ah, e podem cagar tranquilamente.

Assim funciona a terceirização. Que foi aprovada ontem com a Reforma Trabalhista (que está mais para demolição).

Esse exemplo prático talvez te dê uma pequena noção do que acontece com muitos trabalhadores terceirizados, e que a partir de agora acontecerá ainda mais, sob a égide da lei.

Não há mais o que fazer. Talvez ocupar as ruas, greve geral, revolução... honestamente não sei. O povo está tão... tão catatônico, que não consegue sequer bater a tampa de uma panela no horário nobre.

É dificil aceitar que um governo sem voto imponha mudanças tão radicais e que afetem de maneira tão severa a vida do trabalhador sem ao menos discutir com eles essas mudanças. O trabalhador assalariado é a mola propulsora da economia deste país, e não o contrário.

Nós tivemos a chance de impedir isso. E a perdemos.

Eu, como advogado trabalhista, seguirei lutando pelos direitos dos trabalhadores e fazendo o que for possível para garantir a eles os direitos mais básicos.

Talvez eu tenha mais trabalho, talvez não.

E aos que estão aplaudindo essa reforma, desejo boa sorte na negociação com seus patrões.

6 Comentários

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Excelente. Leu meus pensamentos. continuar lendo

Olhando pelo lado do Pequeno Empresário existe um problema onde a carga tributária com um trabalhador é tão grande que se torna cada vez mais difícil manter um funcionário no caso de pequena empresa. Não adianta ter tantos direitos para os trabalhadores e não ter emprego. Acredito que com a livre negociação haverá geração de empregos. Tivemos recentemente uma conquista para as secretárias domésticas onde tiveram vários direitos. No ponto de vista de igualdade de trabalho eu acho ótimo, porém as pessoas tem que se adaptar às novas regras e nesse caso, automaticamente várias secretárias domésticas perderam seu emprego pelo fato do empregador não conseguir arcar financeiramente com as novas regras. Então a solução foi diminuir a quantidade de dias de trabalho ou substitui-las por Diarista. continuar lendo

Essa reforma em NADA beneficia o pequeno empregador. Não cria mecanismos para formalização de contratos, não atenua a legislação para os micro e pequenos empresários. Esses empregadores não têm voz e vez em negociações coletivas. O problema deles não é horas in itinere, trabalho intermitente, pejotização, etc. Não são eles que perpetram as fraudes atualmente combatidas pelos institutos do grupo econômico, sucessão e responsabilidade de sócios.
É lei para criminosos contumazes que atuam no ramo das terceirizações e para grandes empresas elevarem seus lucros. É a facilitação das fraudes, da desigualdade e da discriminação (negativa). É o fim do livre acesso à justiça.
O pequeno empregador normalmente não assina carteira e continuará sem fazê-lo. Mudança plausível para formalizar contratos e incluir uma legião de trabalhadores informais no sistema previdenciário seria a implementação de legislação similar a do "salão-parceiro". continuar lendo